5
abr
2010

‘Tudo que precisamos é um pouco de paciência’

Guns’ N Roses ao vivo no Sambódromo, Rio de Janeiro

Foi mais que apropriado ouvir Axl Rose entoando a balada Patience, oportunamente incluída no show do Guns N’ Roses no Rio, no último domingo (04/04). Paciência é exatamente o que você precisa se pretende acompanhar a turnê mundial de Chinese Democracy. Como no Chile e na Argentina, a banda atrasou quase duas horas para entrar no palco.O cancelamento do show da banda no Rio duas semanas atrás não foi culpa do Guns – já que uma tempestade tropical derrubou parte do palco e feriu duas pessoas. Porém, o atraso que afetou cerca de 30 mil fãs que se aglomeraram na Praça da Apoteose foi causado por ele, sim, Axl Rose – que ficou no camarim, se recusando a entrar no palco.

Enfim, 1h da manhã, o grupo subiu ao palco. O fato irritou a platéia – em pé desde às 19h – que recebeu o vocalista aos gritos de “filho da puta, filho da puta!” O cantor nem ao menos se desculpou aos leais fãs que tinham esperado desde o Rock in Rio III, em 2001, para ver a banda novamente. Mas, como diz outro hit, It’s (fuc****) So Easy, o poder dos revólveres quando disparam é muito fácil de entender. Quando o clássico Welcome to the Jungle veio logo como a segunda música do show, tudo estava perdoado.

Com três guitarristas, que se movem por todo palco o tempo todo, o novo Guns N’ Roses tem energia de sobra. A voz de Axl Rose ainda está viva, mesmo que às vezes suma. Nas músicas calmas, ele conduz tranquilamente. Sua melhor performance da noite foi na cover da clássica Another Brick in the Wall, do Pink Floyd. Axl lançou mão de seu piano de cauda e criou uma atmosfera mágica.

A habilidade do líder do Guns em encontrar os guitarristas certos também não pode ser subestimada. DJ Ashba, que se juntou ao grupo há exatamente um ano, é a personalidade que uma “marca” com as dimensões do Guns N´ Roses precisa. Sua energia, estilo e bom gosto fizeram com que os fãs, por um momento, esquecessem a figura cult de Slash.

DJ Ashba não podia ser melhor alternativa. Ele também usa um chapéu, deixa a sua guitarra Les Paul pendurada abaixo da cintura e coloca um cigarro na boca quando é hora do solo. O ponto alto do show foi quando, juntamente com o guitarrista Richard Fortus, Ashba tocou Whole Lotta Rosie, do AC/DC.

O Guns N’ Roses soou tão perigoso quanto nos anos 90. Foi também nesta música que Axl Rose emplacou o falseto que lhe é caraterístico e fez toda a platéia sentir que a espera pelo início do show foi válida. Antes de a banda deixar o palco, aproveitou para amaciar o ego do público brasileiro.

Enquanto Axl Rose e o resto do grupo saudavam a plao publico, o outro guitarrista solo, Ron “Bumblefoot” Thal, fez uma fabulosa versão distorcida do hino nacional brasileiro. Para o bis, a banda reservou a explosiva Paradise City – que nunca soa tão bem quanto quando é tocada no Rio de Janeiro.

(Henrik Brandão Jönsson/Especial para BR Press)

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